Opinião

Um impostor

Fim de feriado. O terminal de ônibus movimentado dá a entender que o dia de folga serviu pra muitas coisas, entre elas, visitar parentes, adiantar as compras de fim de ano e, para muitos, até trabalhar mesmo. Dois bares. No do lado direito alguns poucos e aparentemente assíduos freqüentadores bebem seu vício. Outros só de passagem, para uma água ou um refrigerante no fim do dia. No bar do lado esquerdo outro grupo, este grande. Boa parte das pessoas concentradas na TV vinte nove polegadas que exibe uma partida de futebol. O restante, como os do primeiro bar, bebem. Um grupo de jovens arrumados, provavelmente para alguma festa, passa com pressa. Uma das meninas do grupo pára e pergunta: “vamos socorrer ou não?”. Seguem em frente depois que um deles acena negativamente. No mesmo instante, entre os bares, a menos de cinco metros de ambos, um senhor, morador de rua, muletas ao lado, rosto ensangüentado, se debate como quem tem um ataque epilético.  O chão à sua volta sujo de sangue. Ele permanece  se debatendo por alguns minutos depois pára, visivelmente desacordado. Entre os que passam e observam com uma angustiante indiferença estou eu. Um impostor.

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3 comentários sobre “Um impostor

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