Opinião

Deixa eu dizer o que penso dessa vida…

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O mundo está ficando muito chato! Uma professora minha disse isso certa vez em sala de aula, num tom um tanto quanto melancólico, e eu concordei. Tudo bem que do alto dos meus 25 anos de idade eu não tenha vivido o suficiente para uma avaliação incontestável, mas aproveitando o senso crítico acurado e a experiência dessa professora e de muitas outras pessoas que compartilham desta frustração, e comparando um pouquinho o hoje com o passado recente, mesmo que eu não o tenha vivido, acho que meus argumentos serão, no mínimo, coerentes. É óbvio que quando me refiro a “mundo”, nestes termos, estou falando do modelo de sistema social vigente que rege as relações humanas na contemporaneidade (blá, blá, blá…), ou como melhor definiria uma amiga minha “o mundo que conta”. Sim, os marginais, as “minorias” ou os “sobrantes”, que é como alguns sociólogos de hoje chamam os antigos excluídos, estão de fora da adjetivação de chato –e, por conseqüência, de mundo- talvez porque alguns deles sejam os poucos que ainda continuam autênticos.

Pois é este mundo que está ficando cada vez mais chato. Além da proliferação da pseudo-intelectualidade, tema da última postagem (que curiosamente soube no último fim de semana, uma das questões foi assunto do livro O Enigma do Vazio, do poeta, ensaísta e professor Affonso Romano de SantAnna), o politicamente correto também assola nosso dia-a-dia. É complicado levar a vida descontraidamente, que o digam os humoristas! Fazer piada está ficando complicado. Dos gordinhos aos narigudos, altos, baixos, turcos, judeus, políticos, evangélicos, homossexuais etc. todos os grupos se vêem discriminados, são poucos os que têm senso de humor. Chato!

Pra completar o corporativismo está tomando conta de tudo. Essa obsessão pelo sucesso faz eu me sentir um extraterrestre. E ainda tenho que conviver com alguns valores controversos. Essa divisão de winners e losers, criada pelo mundo dos negócios, parece que subverteu princípios e tem transformando virtudes em defeitos e defeitos em qualidades. Eu e muitos amigos temos feito alguns processos seletivos para estágios e a nossa percepção é comum. A vontade que dá é esticar uma canga na beira da praia e viver a vida fazendo artesanato (claro, porque como diria o filósofo Millôr, “eu não trabalho por dinheiro, mas sem dinheiro eu não trabalho”). O tal do “mercado” -pois é, ainda não inventaram um nome mais desagradável- parece que procura um mesmo modelo de profissional e se você não se encaixa nesse modelo, esqueça seus princípios e valores e se vira! Uma amiga foi dispensada do processo seletivo de uma grande empresa porque depois de incansáveis (e inúteis?) dinâmicas de grupo perceberam que ela era muito boa. Isso mesmo, boa! Boa como pessoa, era um ser humano bom. Estranho não? Eu mesmo participei de um em que o objetivo era saber defender o seu argumento até o fim, principalmente se ele estivesse errado. Nas palavras da pessoa que fazia a seleção, era um profissional assim que eles procuravam. Nada de reconhecer o erro e se consertar, o negócio é saber se defender. Lei da selva? As palavras mais ouvidas nestes ambientes são pró-atividade e autoconfiança, o que aos meus ouvidos na maioria das vezes soam como arrogância e prepotência.

Quer saber, sejamos mesmo marginais, excluídos ou sobrantes porque este mundo anda, de fato, muito Chato!

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3 comentários sobre “Deixa eu dizer o que penso dessa vida…

  1. Natalia Weber disse:

    A gente vê e vive cada coisa que eu me pergunto às vezes como temos coragem de sair pra rua e viver nossa vida “normal” de gado desse sistema, e ainda tentar ser feliz dentro dele. Fiz essa pergunta pra uma pastora que eu admiro muitíssimo. Ela pensou, respirou fundo, e disse, muito Yoda-mente: “Deus deu toda a instrução a Moisés sobre como o seu templo deveria ser construído. Apesar de todo o cuidado, o chão do templo ainda é o deserto”.
    Ou seja, não somos desse mundo mas estamos no mundo (cf. João 17) e é isso. O importante é manter essa consciência viva e tentar até o fim viver além dessa matrix ridícula…
    A verdade é revolucionária.

  2. Oi, Bruno,

    gostaria de ter dito essa frase aqui para você:

    “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo.”

    Mas não fui eu quem disse isso, foi o C. S. Lewis. Ela resume bem o que eu quero comentar sobre o seu post.

    Não é o mundo que tá chato, meu caro. Você é que não foi feito para o que ele se tornou.

    Beijos.

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